Meu querido diário…

Na sexta série, a professora de língua portuguesa perguntou certa vez quantas de nós, meninas, tínhamos um diário e escrevíamos nele. Algumas meninas com o ar de maturidade precoce responderam: nós não temos, é besteira! Eu fiquei quieta, eu tinha um diário, e pior ainda, eu escrevia. Abaixei a cabeça meio que me sentindo constrangida por tamanha infantilidade de minha parte. Ora essas! Ter um diário em tamanha sexta série? Pensava eu. Mas logo a professora me fez sentir orgulho próprio ao dizer que as meninas que não escreviam em diários estavam perdendo uma das melhores coisas da adolescência. E apesar da minha adolescência ter se esvaído há pouco tempo, hoje continuo e continuarei a escrever em diários.

Então, eu estava cá pensando sozinha, será que as meninas de hoje aproveitam a adolescência dessa forma? E logo me surpreendeu o fato de constatar que muito provavelmente não. É só dar uma olhadela nas redes sociais, que tanto fazem parte da nossa vida ”diária”, que vemos pessoas derramando segredos, pensamentos solitários, frases em busca de atenção e aprovação. Quando leio certas coisas eu penso: Ah meninas… Se vocês tivessem um diário! Digo isto porque bem sei das coisas que escrevi nos meus. Desejos, nomes de garotos que eu gostava, versos românticos que encontrávamos nos livros de português e claro, muita besteira (risos). Mas hoje eu releio os meus diários e agradeço a Deus porque naquele tempo eu não tinha acesso às redes sociais, se não eu estaria tendo de apagar algumas coisinhas por aí (risos).

Mas o que há de tão importante e encantador em escrever diários?

Eu acredito que seja o olhar individual, a profundidade adquirida da introspecção. Seja como desabafo, como forma de auto-refúgio ou para relatar fatos ocasionais. Existe um pacto autobiográfico nisso tudo, coisas que só você e a caneta sabem e talvez, também, alguns bons e poucos amigos. Você possui algo a mais. Algo que alguém não saberá de você apenas com alguns cliques no computador. E, com o passar dos anos você pode reler e rir de si mesma, e assim como eu, lembrar de como foram inocentes e bobos aqueles anos. Essa é uma das delícias que só a escrita pode lhe oferecer. Então, por mais que você não tenha o hábito de escrever todo dia, compre um diário e use-o sempre que puder, mesmo que as linhas escritas não sejam só felicidade, essas linhas fazem parte da sua vida. Valerá à pena.

“Verba volant escripta manent. As palavras faladas voam e caem no esquecimento, mas as palavras escritas permanecem.” Provérbio Latino


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