Então Esteja Contente, Pobre Coração!

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  Ao abrir os olhos naquela manhã, Lívia olhou ao redor e viu que mais uma vez acordava no quarto que fora seu desde a infância. Foi só despertar para se lembrar também de todo o conflito que ultimamente se instalou em sua mente e coração. Um longo relacionamento recém acabado e o distanciamento de seus amigos, em sua maioria da igreja, lhe traziam grande dor e solidão naquele momento. Há dias ela já acordava cansada, se deixava apenas ser levada pelas circunstâncias pois, como é de costume, o final de período na faculdade a envolvia em um esgotamento físico e mental.

  Era um sábado e seus pais haviam viajado com sua irmã mais nova, então, mais uma vez, ela passaria o dia sozinha. “Que ótimo, ninguém por perto pra variar! Aff“. Levantou-se e procurou algo pra comer. Achou um daqueles lanches rápidos e nada nutritivos de quando estamos a sós. Mergulhou no sofá e iniciou uma conferida nas redes sociais. Ao rolar o feed, ficava cada vez mais chocada: “Como ele pode estar seguindo tão bem? Parece até outra pessoa. Será que está com outra pessoa?” “Como meus amigos, aqueles que eram meus melhores amigos, saem, se divertem e nem se lembram que eu existo? Nunca me visitaram. Mandaram aquelas mensagens, mas eu estava tão ocupada…” Lívia não sabia o que era maior: a dor ou a raiva. Um milhão de pensamentos de auto piedade lhe vieram à mente, passou horas remoendo o que havia se passado. Ora culpava a si mesma, ora culpava os outros e isso só lhe empurrava mais para sua bolha de solidão. “Talvez eu não tenha nenhuma importância pra ninguém mesmo.” Sentiu sede e se levantou para ir à cozinha, tão distraída estava que esbarrou em um quadro na estante. Pegou-o do chão e averiguou com grande alívio que estava intacto. “Uffa! Mamãe ama esse quadro!” Ao recolocá-lo no lugar, seu conteúdo lhe chamou a atenção. Tanto tempo ele estava ali e ela nunca tinha reparado. Possuía um poema com uma bela mistura de cores ao fundo. Começou a ler:

“Um dia, quando todas as lições da vida forem aprendidas,
E o sol e estrelas se recolherem para sempre,
As coisas que os nossos fracos julgamentos aqui desprezam,
As coisas sobre as quais nós nos afligimos com açoites,

Irão se iluminar à nossa frente, saindo da noite escura da nossa vida,
Como as estrelas brilham em tons mais profundos de azul;
E veremos como todos os planos de Deus são corretos,
E o que parecia reprovável era o amor mais verdadeiro.
Então esteja contente, pobre coração;

Os planos de Deus, como lírios, puros e brancos, desabrocham;
Não devemos abrir à força as folhas ainda fechadas – O tempo revelará seus cálices de ouro.
E se, através do trabalho perseverante, alcançarmos a terra,
Onde pés cansados, com sandálias desamarradas, poderão descansar,
Quando veremos e compreenderemos claramente,

Acho que iremos dizer: “Deus sabia o que era melhor!” (May Riley Smith)

  Ao ler, seus olhos se encheram de lágrimas. Percebeu que tanto se afligia por coisas passageiras. Houve anos em que ela sentia Deus pertinho, mas aos poucos foi se afastando e agora percebia o quão distante do Pai estava, mergulhada em si mesma e em seus problemas. Queria novamente confiar nos planos de Deus para sua vida e estava muito cansada de lutar sozinha, de carregar suas próprias angústias. Havia se esquecido de como é ter esperança de dias melhores. Havia esquecido do cuidado de Deus e de que Ele estava disposto a ouvi-la. Correu para seu quarto e se ajoelhou perante sua cama. Não sabia bem o que falar, tamanha era a vergonha, mas, enfim, pediu perdão e começou a agradecer. Agradeceu pela família, pela faculdade, pelo suprimento diário, pela vida, passou muitos minutos se lembrando e agradecendo por todas as bênçãos. Enquanto isso, lágrimas rolavam sem parar e ela percebia que tudo o que tinha era bem mais do que achava ter perdido. Ao se levantar, com seu ser totalmente renovado, percebeu que tudo ao redor parecia igual, mas havia algo diferente. Dentro dela algo estava diferente. Mesmo que tudo parecesse estar desmoronando, ela tinha agora uma paz. Sabe aquela que vai além de qualquer entendimento? Fossem quais fossem os próximos capítulos, ela tinha, nesse momento, a sensação de que não estava sozinha, de que tudo, de alguma forma, iria ficar bem e no final ela também iria dizer: Deus sabia o que era melhor.


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